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O que vem pela frente no mundo dos negócios?

 

No decorrer de 2014, pelo andar da carruagem, não era nenhuma novidade que teríamos um ano de 2015 bastante complicado, com forte ajuste fiscal e retração econômica.

Pois bem, o ano nem bem começou e algumas medidas nessa direção já foram anunciadas. A sociedade brasileira foi brindada com um pacote de aumento de impostos: elevação de IOF nos financiamentos e dos juros para financiamento da casa própria, volta da Cide nos combustíveis, a não correção plena da tabela do imposto de renda, dentre outros.

Para a indústria, mais especificamente a de máquinas e equipamentos, sobrou, por enquanto, a redução de aporte de recursos, a elevação de juros e diminuição da parcela financiada no PSI-Finame e nas demais linhas do BNDES, esta que vinha sendo a principal e, talvez, a única ferramenta capaz de minimizar a perda de competitividade sistêmica da indústria nacional de máquinas e equipamentos.

Sem fazer juízo de valor em relação às medidas anunciadas até o momento, é fato que, em função dos sucessivos equívocos cometidos pelo governo nos últimos anos, fortes ajustes seriam necessários. Entretanto, somente o aumento de impostos não será o remédio suficiente para recolocar a economia brasileira nos trilhos.

Acrescente-se a isso as constantes elevações da taxa Selic (com o argumento de combate à inflação) que produz efeitos nefastos à economia, uma vez que inibe os investimentos, pois se torna mais atrativo investir no mercado financeiro, e ainda atrai capital especulativo, provocando a valorização artificial do real frente ao dólar, tornando a indústria nacional ainda menos competitiva. Isso sem falar no aumento de gastos com juros para o governo, que vai totalmente na contramão do tão perseguido ajuste fiscal (cada ponto percentual de aumento da Selic representa um gasto anual da ordem de R$ 10 bilhões para os cofres públicos. No ano, o governo federal gasta cerca de R$ 250 bilhões só com o pagamento de juros).

O governo precisa sinalizar, com a mesma velocidade com que anunciou o aumento de impostos, a implementação de medidas capazes de promover a retomada da competitividade brasileira. Do contrário, somente a elevação de impostos, somada à crise vivenciada pela Petrobras e pelos setores de etanol, siderurgia e mineração (os maiores adquirentes de máquinas e equipamentos) vão levar toda a cadeia da indústria de transformação para uma crise sem precedentes, muito mais séria do que a que já estamos experimentando atualmente.

Esperamos que, com brevidade, venham a ser anunciadas medidas para a diminuição do Custo Brasil, simplificação do sistema tributário, redução dos spreads e juros escorchantes cobrados das empresas, melhoria da infraestrutura brasileira, com o destravamento das concessões públicas, além, é claro, de um câmbio minimamente favorável ao setor produtivo.

Seria mero exercício de futurologia prever o quão fortemente o ano de 2015 está comprometido, mas é fato que passaremos por um período de significativa retração econômica. Vamos continuar motivados e envidando todos os esforços, dando a nossa contribuição, apresentando propostas e cobrando do governo as ações que possam recolocar o país rumo à retomada do crescimento.

Sabemos que as questões estruturais não se resolvem de imediato, contudo, o governo precisa dar sinalizações claras, com urgência, de que irá começar a implementá-las ainda em 2015, para que 2016, com a “casa arrumada”, venha a ser um ano de retomada do crescimento da economia brasileira.

 

Ainda que as previsões não sejam as melhores, que venha 2015!

fonte: Plástico Moderno.

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